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<p>É o que tenho dito já há algum tempo, essa coisa da ilusão que machuca. Que magôa, que destrói. A gente abraça o mundo e de repente descobre que não está abraçando nada além daquilo que nunca foi real. Esse mundo que antes estava em nosso poder, bem perto do coração, desaparece como se resumido a um punhado de cinzas que alguém lançou ao vento. Quem, não importa. O fato é que não se pode abraçar as cinzas, a não ser que você esteja queimando. E sorrir nesse momento é algo tão falso que chega a machucar, ofendendo a nossa própria inteligência, que então nos serve como uma espécie de beijo, aquele tipo de beijo que tira a princesa de seu sono encantado, com uma diferença notável: nada aqui é fantasia. Você acorda para o real e se enxerga como um ser tão fraco que prefere dar as costas para tudo o que criou até então, porque já não consegue diferenciar o que realmente faz parte da sua vida e o que nunca fez.</p>
<blockquote><p>&#034;<i>(&#8230;) Às vezes parecia que era só improvisar e o mundo então seria um livro aberto - até chegar o dia em que tentamos ter demais, vendendo fácil o que não tinha preço. Eu sei é tudo sem sentido&#8230; Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais, como sei que tens também.</i>&#034;</p></blockquote>
<p>Mas a vida é isso aí, um jogo de sorte onde colocamos freqüentemente em risco a nossa sanidade. Não há segredos quando se faz uso da coragem, a gente arrisca e segue cambaleando ou não. A firmeza de cada passo sempre dependerá do quanto estamos dispostos a apostar nesse jogo que agora deixa a sorte de lado e se torna um jogo de azar. É nessa hora, exatamente nesse instante quase imperceptível, que tudo o que você fez e falou passa a te amedrontar. O que fazer, então?! Absolutamente nada além de aceitar a pessoa em quem você se transformou e o caminho que esse alguém optou por trilhar. Voltar atrás te faria cometer os mesmos erros, não se deixe enganar novamente pela tal da ilusão, porque isso não deixaria de acontecer. A única coisa real na ilusão é sua existência. Porém, ela não é o fim. Ela é, pelo contrário, o início de tudo. É quando você a descobre que tem a chance de viver de verdade e percebe que jamais será bom sentir-se infeliz, mas sempre é maravilhoso tê-lo sido.</p>
<p><center><object width="150" height="50" align="middle"><param name="allowScriptAccess" value="sameDomain" /><param name="wmode" value="transparent" /><embed src="http://muzicons.com/musicon3.swf" width="150" height="50" menu="false" quality="high"  align="middle" type="application/x-shockwave-flash" flashvars="&#038;nomuz=muzicon%20unavailable&#038;site=http://muzicons.com/&#038;icon_pic=72.png&#038;music_file=AHIDf0IH&#038;bg_color=999999&#038;type_of_clip=whith_bar&#038;text_color=FFFFFF&#038;text_message=mega+star%21" wmode="transparent" menu="false" quality="high"></embed></object><br />
<b>Andrea Doria - Legião Urbana</b></center></p>
<p><center>&#8230;</center></p>
<p><u>Nota</u>: O <b>SS Andrea Doria</b> foi um navio transatlântico italiano lançado ao mar em 1951. Foi assim batizado em homenagem ao almirante genovês <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrea_Doria">Andrea Doria</a>. Em 26 de julho de 1956, quando navegava rumo a New York, ao largo de Nantucket (Massachusetts - EUA), colidiu com o Stockholm, um navio de bandeira sueco-americana, vindo a naufragar. Transportando cerca de 1.200 passageiros e 500 tripulantes, foram resgatadas 1.660 pessoas. Cerca de 50 pessoas perderam a vida no desastre. Perderam-se ainda algumas obras de arte italianas.</p>
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<p>As sombras que surgem a partir da luz fraca me assustam, são formas estranhas que criam uma atmosfera sombria, isso me dá arrepios. Me encolho feito uma criança sozinha com medo do escuro, medo esse que não tive antes, sequer na infância eu o tinha. Nesse momento, porém, a solidão negra me toma de tal modo que nem todos os abraços possíveis me acolheriam. E nada do que é possível agora conseguiria afugentar essa sensação de vazio que quase me preenche.</p>
<p>Mas não tem nada a ver com essas formas estranhas que enfeitam as paredes me cercando. Eu poderia resolver tudo isso fechando meus olhos e permanecendo assim até que a luz surgisse por si só, naturalmente, como sempre foi desde o início dos tempos. Eu poderia, mas não quero. Chega de falsas soluções, de falsas esperanças, de falsos planos. Chega de tudo que é falso, eu prefiro manter meus olhos abertos e enxergar a escuridão. O que me conforta agora é saber que sou capaz de escrever no escuro.</p>
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<p><i>Se tu fossi qui ora<br />
anche solo per mezz&#039;ora<br />
avrebbe senso tutto il mio pensare<br />
se in questo momento mi stessi guardando<br />
potrei vedere al di là dei miei occhi<br />
e si rifletterebbe fino a dove i tuoi possono arrivare.<br />
Se stessi ascoltando la mia voce<br />
mi daresti l&#039;attenzione di un allievo<br />
E se io stessi guadagnando importanza<br />
sarei io la persona più felice.<br />
Ah, se potessi comprendere<br />
che ciò che sento è troppo puro<br />
e nobile e semplice<br />
come la complicità del dare senza ricevere<br />
solo per la soddisfazione di donare<br />
del sostenere e comprendere.<br />
Se tu fossi qui ora<br />
potrei esprimermi in un altro modo<br />
forse un gesto, chissà<br />
senza nessuno da analizzare<br />
solo per dimostrare<br />
ma non ho idea di dove tu sia<br />
di cosa fai, o con chi<br />
non so neanche se sei con qualcuno<br />
Però c&#039;è qualcosa che non posso negare<br />
Ti invento a modo mio e il mondo lo ignora<br />
poi così ti immagino perfetto<br />
e riesco a sentire che sei qui ora.</i></p>
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Se tu fossi qui ora
anche solo per mezz&amp;#039;ora
avrebbe senso tutto il mio pensare
se in questo momento mi stessi guardando
potrei vedere al di là dei miei occhi
e si rifletterebbe fino a dove i tuoi possono arrivare.
Se stessi ascoltando la mia voce
mi daresti l&amp;#039;attenzione di [...]</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.almaempunho.com/se-tu-fossi-qui/feed/</wfw:commentRss><feedburner:origLink>http://www.almaempunho.com/se-tu-fossi-qui/</feedburner:origLink></item><item><title>Se você estivesse aqui</title><link>http://feeds.feedburner.com/~r/AlmaEmPunho/~3/404080392/</link><category>Poema &amp;amp; Poesia</category><category>amor</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Beta de Felippe</dc:creator><pubDate>Fri, 26 Sep 2008 15:10:35 -0500</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.almaempunho.com/se-voce-estivesse-aqui/</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><strong>[Sabem aqueles poeminhas que a gente escreve na adolescência?<br />
 Ah, pois é. Eis um dos meus.]</strong></p>
<p>Se você estivesse aqui agora<br />
Nem que fosse por meia hora<br />
Seria válido todo o meu pensar.<br />
Se estivesse, nesse momento, olhando para mim<br />
Poderia enxergar além dos meus olhos<br />
E estaria refletido até onde os teus alcançassem.<br />
Se estivesse ouvindo minha voz<br />
Daria-me a atenção de um aprendiz<br />
E, se eu estivesse conquistando importância<br />
Seria eu a pessoa mais feliz.<br />
Ah, se você pudesse compreender<br />
Que o que sinto é tão puro<br />
E nobre e tão simples<br />
Como a cumplicidade do dar sem receber<br />
Apenas pela satisfação do doar<br />
De apoiar e de compreender.<br />
Se você estivesse aqui agora<br />
Eu poderia me expressar de outra forma<br />
Talvez um gesto, quem sabe<br />
Sem ninguém pra analisar<br />
Apenas pelo demonstrar.<br />
Mas nem imagino onde você está<br />
O que faz, ou com quem<br />
Nem mesmo sei se está com alguém<br />
Porém, há algo que não posso negar:<br />
Te faço do meu jeito<br />
Te crio pra mim e o mundo ignora<br />
Pois assim te imagino perfeito<br />
Podendo sentir que está aqui agora.</p>
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 Ah, pois é. Eis um dos meus.]
Se você estivesse aqui agora
Nem que fosse por meia hora
Seria válido todo o meu pensar.
Se estivesse, nesse momento, olhando para mim
Poderia enxergar além dos meus olhos
E estaria refletido até onde os teus alcançassem.
Se estivesse ouvindo minha voz
Daria-me a atenção de [...]</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.almaempunho.com/se-voce-estivesse-aqui/feed/</wfw:commentRss><feedburner:origLink>http://www.almaempunho.com/se-voce-estivesse-aqui/</feedburner:origLink></item><item><title>Eu, um pássaro</title><link>http://feeds.feedburner.com/~r/AlmaEmPunho/~3/401383183/</link><category>Filosofices</category><category>pássaros</category><category>possibilidades</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Beta de Felippe</dc:creator><pubDate>Thu, 11 Sep 2008 14:56:40 -0500</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.almaempunho.com/?p=64</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Acordo diariamente ouvindo o cantar dos pássaros empoleirados nas árvores que rodeiam minha casa, salvo os dias de chuva. Não acordo necessariamente de manhã, pelo contrário, geralmente é madrugada ainda quando abro a janela e tento, sem sucesso, observá-los em meio à escuridão. E aquilo me parece uma sinfonia que homenageia o nascer do sol - é muito agradável.</p>
<p>Temos o costume de alimentar os pássaros e eles praticamente já se tornaram parte da família. Minha mãe sempre deixa um pote com arroz e outro com água no quintal e os reabastece ao longo do dia porque, se não fizer isso, eles voam direto para dentro da cozinha sem o menor receio e se alimentam do que na verdade é a comida da cadela. Em razão disso, mantemos a porta quase sempre fechada, já que minha avó tem medo de qualquer coisa que voe e é capaz de ter um ataque cardíaco se um pássaro sobrevoar sua cabeça enquanto ela prepara seu café. </p>
<p>Somos três mulheres (quatro, se contarmos a cadela) vivendo em uma das poucas casas que ainda restam em São Paulo. Para ser sincera, a única coisa que me faz lembrar que moro nessa selva de pedra é o barulho absurdo do Aeroporto de Congonhas, que fica a poucos metros dessa mesma janela de onde não consigo enxergar os pássaros cantantes nas primeiras horas do dia. E assim é, o canto dos pássaros misturado ao som das turbinas dos aviões que pousam em e decolam de Congonhas. Durante anos achei essa combinação muito estranha, hoje o costume me conforta.</p>
<p>Por que estou escrevendo sobre isso? Porque ultimamente é assim que venho me sentindo: um pássaro que a grande maioria ignorante pensa poder bater asas e voar para longe mas que, na realidade, sabe que longe daqui não sobreviveria por muito tempo, porque é aqui onde está sua segurança. Sim, sabe, mas&#8230; Não sendo eu dona de todo o saber, posso estar errada. E essa dúvida é que me faz abrir a janela todos os dias e prestar atenção ao cantar dos pássaros, enquanto me indago: seria eu capaz de cantar assim longe daqui?</p>
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