domingo, 30/03/2008 

Fiquei imaginando quantas vezes você já chorou sozinho, com o rosto escondido pelo travesseiro. Desejei estar ao seu lado em todas elas, passar um pouco da minha segurança, envolvê-lo em meus braços da forma mais confortante possível. Busquei sem que você notasse seu olhar inocente e só o que encontrei foi um semblante agoniado. Como quem nada espera em troca, enviei as melhores energias que pude e cheguei a adormecer, para não sei quanto tempo depois acordar com a sensação de estar ao seu lado. Não estava.

Ou será que estava? Esta sou eu, a que se doa, a que oferece sem pedir para receber. A incondicional. E foi assim, vivenciando um sentimento singular, que me senti preparada para confessar:

Passei horas apenas observando seu rosto e você não soube. Acordei da realidade para viver um sonho que eu mesma criei, que moldei da forma mais bonita. Pensei em mil e uma maneiras de demonstrar como me sinto agora, mas só o que consegui fazer foi me perder em tentativas e na escolha das palavras. Sou boa com palavras, você sabe. Mas elas me faltaram. Sim, no instante exato em que tomei coragem, elas me faltaram. Então preparei cuidadosamente uma antologia sentimental. Logo eu, que lhe parecia tão inacessível, agora preciso emprestar palavras para te fazer entender. Se, em meio à dúvida, você imaginar nem que seja por apenas um instante que elas são para você, terá valido a pena.



© Beta de Felippe
arquivado em: Entrelinhas, Viagens da Alma


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